A ANSIEDADE DO EMPREENDEDOR

Segunda-feira, 4 horas da manhã, recebo uma mensagem no whatsapp — um cliente desesperado comenta: Postai, meu financiamento não foi aprovado, infelizmente não consegui utilizar meu imóvel como garantia, estou buscando formas de conseguir mais dinheiro. Vou encarar, não vou desistir. Preciso negociar com você, pois, as contas não estão mais batendo. Minha cabeça está a mil. Tá difícil dormir e comer de tanta tensão. Mas daqui a pouco vai dar tudo certo!

Menos de duas semanas antes, estava saindo meia noite de um Business Council da MOAI que terminara tarde, e ouvia o desabafo de outro cliente — Fazem 4 anos que não sei o que são férias. Estive no ápice, tomei algumas decisões erradas e desde então tento me recuperar. Não durmo direito e sinceramente por diversas vezes acho que não vou conseguir.

Acabo de sair da academia e ainda por lá, uma grande amiga e também empresária estava desabafando comigo — Vini, acho que vou explodir! Não consigo me desconectar, estou numa ansiedade sem limites. Me ajuda!

UMA JORNADA PARA POUCOS

Ninguém disse que abrir uma empresa seria fácil, mas depois de mais de 3 anos apoiando empresários nesta jornada chegou a hora de ser honesto e abrir o jogo. Abrir uma empresa pode ser algo brutal e o preço a ser pago é altíssimo.

Dentro desse cenário, eu também me insiro. A MOAI hoje cresceu de forma substancial, mas poucos meses atrás, eu também estive à beira de um colapso mental.

Por um bom tempo, cheguei a atender dezenas de empreendedores, passando longas horas do meu dia aconselhando esses clientes a desenvolverem seus negócios. Mas meu profissionalismo como coach mascarava muitas vezes um segredo — Eu também partilhava dos seus medos.

Eu havia investido mais de 80 mil reais em capacitações, vendido meu carro, Playstation 4, televisão, utilizado linha de crédito do banco com juros de 5.6% e recorrido a empréstimos online. Em seguida, a pressão ficou ainda pior, percebi que havia cometido um erro em um contrato e tive meu modelo de negócio absolutamente copiado, e havia criado, eu mesmo, dentro de casa, um grande concorrente. Do dia para noite meu trabalho de anos estava sendo divulgado como de outra pessoa. Some isso a erros de marketing, pessoas, clientes com demandas altíssimas e a bomba atômica emocional está pronta.

Felizmente, após quase 5 meses de ansiedade, cursos de maturidade emocional e um excelente coach pessoal, a MOAI começou a ganhar dinheiro.

Rapidamente nos posicionamos de forma diferente no mercado e o cenário mudou. Mas a história não é feliz para a grande maioria dos empreendedores. Para quem gosta de empreendedorismo, sabe que muitos deles tem status de herói em nossa cultura. Idolatramos Flávio Augusto, Abílio Diniz e Elon Musk. Participamos de eventos de negócio sonhando com as top 500 da fortune e esperando sermos o próximo Steve Jobs.

A VERDADE POR DETRÁS DAS CORTINAS

Mas, tendo aberto um negócio cujo propósito é ir de fato a fundo na vida do empreendedor e oferecer o suporte emocional e técnico que ele precisa, percebi que a realidade é bem diferente.

A maioria carrega e esconde grandes demônios internos. Por trás daquela empresa de sucesso, “stories” agitados no instagram e do aperto de mão firme nos encontros de negócio, esses empreendedores lutam para superar seus medos e passam por momentos de ansiedade quase debilitantes, muitas vezes, acreditam que tudo vai desmoronar.

Acredito que antes da MOAI, admitir estes sentimentos era um tabu. Encontros de negócio eram apenas voltados para mostrarmos nossos pontos fortes e o velho ditado do Eric Thomas — Fake it till you make it — imperava no mercado. Na verdade, quando abri a MOAI, acreditei que durante nossas reuniões dos conselhos, iríamos tratar puramente de estratégias de alto nível e indicações de negócio, já na prática, o maior ganho e boa parte das reuniões giram em torno do apoio emocional e as amizades que geramos dentro dos grupos.

Nem todo mundo que trilha esse caminho consegue passar por ele. No vale do silício, por trás das salas de mindfullness e das empresas com seus puffs e paredes coloridas, se esconde um dado alarmante — muitos empreendedores lutam para combater a depressão e a ansiedade.

Em outubro de 2015, o site The Hustle, publicou um artigo com a temática — A depressão entre os empreendedores é uma epidemia e ninguém está falando sobre isso.Neste artigo, o autor apresenta os dados de uma pesquisa mostrando que 1/3, cerca de 30% dos empreendedores, vivem com depressão. A partir daí ele cita diversos nomes de empreendedores famosos que tiraram suas próprias vidas. Difícil, hein?

Se você visse os temas que já tratamos e apoiamos empreendedores na MOAI, seria uma surpresa. São empresários bem sucedidos, carismáticos, cheios de vitalidade, mas que lutam em silêncio. Existe uma sensação de que não se pode falar nisso. Que é uma fraqueza ou vergonha. Ali na MOAI, eles encontram o ambiente confidencial perfeito para se abrirem e encontrarem o apoio necessário, ao lado de outros empreendedores que também passam pelas mesmas situações.

Se você é empreendedor, isto tudo muito provavelmente faz sentido para você. Empreender é um trabalho estressante e pode gerar turbulências em todas as áreas da nossa vida. Para começar, existe o risco do fracasso. Quando nos lançamos empresários, amigos, família e colegas acabam gerando uma pressão de — e aí? Quando você vai ficar rico?
E aí chegam os dados, a estatística mostra que 3 a cada 4 startups falham. Em um artigo da Harvard Business Review, o professor Shikhar Gosh apresenta estudos mostrando que 75%, das que não fracassam, apresentam resultados muito aquém do esperado.

No Brasil, os últimos dados segundo o IBGE indicam que a cada 10 empresas, 5 fecham as portas antes de completar 5 anos. Em 2015, segundo os economistas do Serasa Experian, batemos o recorde de pedidos de recuperação judicial, o mais alto desde 2006.

Dado a minha experiência (que também não é tão vasta), chuto dizer o porque isto acontece. Acumulamos muitos papéis e enfrentamos inúmeros contratempos todos os dias: Clientes perdidos, disputas societárias, concorrentes, pessoas, marketing … tudo ao mesmo tempo. Fora isso, temos a vida pessoal — filhos, esposa, família. Como se não pudesse ficar pior, muitos negligenciam a saúde, deixando de se alimentar bem ou praticar exercícios.

O QUE PODEMOS FAZER A RESPEITO

Não é de se espantar esses dados, certo? É por isso que na MOAI nos apoiamos, criamos este espaço mágico de suporte mútuo em busca de termos companheiros de jornada, um espaço não apenas para crescermos como empresários mas também como pessoas.

O que é uma vida extraordinária para você? Todo empreendedor precisa entender que é necessário ser sistêmico. Assim como em nossos negócios, é preciso buscar um equilíbrio. Isso não é utópico, dá uma olhada em empreendedores Brasileiros como o Paulo Vieira, ou a galera da mindvalley nos EUA.

Embora o caminho seja turbulento, cheio de altos e baixos (quem já leu o livro Picos e Vales?) há uma série de coisas que podemos fazer. Uma delas é se relacionar melhor com as pessoas ao seu redor (não vou ficar vendendo a MOAI, mas te garanto que estar ali ajuda muito).

Outra coisa é ter controle financeiro e analisar bem os seus riscos, acredito que aqui em Brasília muita gente conhece o Hugo Giallanza, presidente da ASTEPS. Lembro como se fosse ontem de uma conversa que tive com ele quando estava iniciando meus negócios. Perguntei Hugo, que dica você me da para mim, que estou começando? E ele falou — Postai, mantenha seus custos pessoais o mínimo possível e avalie muito bem os riscos.

As consequências do descuido financeiro podem abalar não apenas nossa conta bancária mas com certeza nosso nível de estresse — por isso, defina um limite para quanto você está disposto investir em seus negócios (em termos pessoais e profissionais!).

Por fim, seja honesto! Não tente parecer o rei da cocada preta. Abra seus sentimentos. Quando você é autêntico com as suas emoções, você se conecta melhor com as pessoas e acontecimentos ao seu redor. Além disso, contrate um coach. Todo empreendedor precisa ter um coach. Acredito que empreender é uma jornada de autoconhecimento, com muitos obstáculos pela frente, e ter um técnico focado em te ajudar a enxergar pontos cegos, é valiosíssimo.

Gostou do texto? Passa lá na MOAI, vem tomar um café comigo! Vou ficar feliz em recebê-lo.

E você? Já passou por alguma situação dessas? O que você acha sobre isso? Deixa sua opinião aí embaixo nos comentários!

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Vinícius Postai